quinta-feira, 24 de junho de 2010

Folheando o Diário Económico



«Um dia, mais tarde ou mais cedo, vai saber-se que a crise actual foi decidida num dos muitos centros de poder oculto espalhados pelo mundo. Um dia, alguém tem acesso a documentos de uma reunião de um clube privado tipo Bilderberg, a uma inconfidência por parte de uma fonte género Trilateral, a uma acta redigida e assinada por mãos invisíveis, e lá virá a lume a criação e implantação de uma estratégia da crise para acabar de vez com os direitos conquistados pelos assalariados desde a revolução industrial, para exterminar os direitos humanos de cariz social.»

(João Paulo Guerra)

«A política [de austeridade] alemã é um perigo para Europa e pode destruir o projecto europeu. (,,,) Actualmente, os alemães estão a arrastar os seus vizinhos para a deflação. E isso poderá conduzir ao nacionalismo e à xenofobia. A democracia pode estar em risco.»

(George Soros)

(In Blog: Ladrões de Bicicletas - Imagem: Net )

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Qual a estratégia de Passos Coelho ?



A estratégia de Pedro Passos Coelho começa a ser evidente, não lhe interessa disputar eleições a curto prazo, pelo menos enquanto as expectativas económicas não forem mais simpáticas e as medidas difíceis forem necessárias. Até lá o PSD assume duas faces, assume a postura do partido responsável apoiando as medidas difíceis que prefere que sejam adoptadas pelo governo, ao mesmo tempo pisca o olho aos eleitores sempre que as circunstâncias o proporcionem.

A estratégia tem tanto de inteligente como de demasiado evidente, podendo levar os eleitores a perceberem-no, o que poderá levar muitos a interrogar-se se os pedidos de desculpas de Pedro Passos Coelho serão sinceros ou não passam de um comportamento manhoso. Até porque pelas propostas de revisão constitucional vindas de personalidades próximas de Passos Coelho percebe-se que Passos Coelho não só quer a “casa arrumada” como ainda pretende uma revisão constitucional que lhe abra as portas a um programa liberal.

Passos Coelho quer chegar ao governo com as medidas difíceis adoptadas pelo actual primeiro-ministro, com as contas públicas arrumadas e sem entraves constitucionais para privatizar uma parte significativa da saúde e do ensino, restando saber se as reformas que pretende ficam pelas mais ou menos assumidas ou se regressa aos velhos projectos da direita de reduzir a Função Pública em 150.000 funcionários.

Se conseguir uma maioria absoluta, isoladamente ou em coligação com o CDS, Pedro Passos Coelho teria uma situação financeira que lhe permitiria adoptar medidas eleitoralistas capazes de abafar alguma contestação social, que nem será significativa pois a esquerda conservadora costuma ser dócil com governos de direita, podendo, finalmente, promover a reforma que a direita liberal sempre desejou.

Resta saber se Pedro Passos Coelho vai alimentar tricas políticas para gerir as sondagens ou se terá coragem para dar a conhecer aos portugueses todo o seu programa. Por outras palavras, resta saber se Pedro Passos Coelho terá coragem ou se optará por adoptar uma estratégia manhosa, se apresentar os programa pode perder votos ainda que elimine o CDS, que optar por ser manhoso poderá ser “apanhado” pelos eleitores.

(In Blog" O Jumento" - Imagem: Laurie Lipton 4)

terça-feira, 22 de junho de 2010

Elogios que não se ouvem...........



Lisboa, 22 jun (Lusa) -- O programa Simplex, a abordagem na distribuição de serviços públicos e as iniciativas e.escola e e.escolinha foram destacados pelas Nações Unidas como três iniciativas "inovadoras" de "modernização" dos serviços públicos em Portugal.

De acordo com as Nações Unidas, "o programa Simplex é um exemplo da administração do futuro que para além de promover o acesso à informação e estimular a sua partilha, fomenta a participação dos cidadãos na criação de serviços públicos à sua medida", segundo um comunicado do gabinete do ministro português da Presidência.

Estima-se que até 2011 seja possível aceder a todos os serviços públicos 'online' através destes dois portais.

(In aeiou Expresso - Imagem: Net )

segunda-feira, 21 de junho de 2010

I n t o l e r a n c i a



Intolerância
[Publicado por Vital Moreira] [Permanent Link]
O selvagem ataque do Osservatore Romano a José Saramago, no dia seguinte à sua morte, mostra que o Vaticano continua a ter uma leitura puramente ideológica da literatura, esquecendo que Saramago, independentemente das suas ideias e convicções, é o grande escritor que é pela qualidade da sua escrita, pela mestria da sua linguagem e pela sua criatividade ficcional. E mostra igualmente que o Vaticano continua tão intolerante com os não crentes como sempre foi, como se o humanismo fosse um monopólio religioso. Não podendo já mandá-los para a fogueira da Inquisição, não poupa porém no ódio nem no rancor.
Se o Vaticano julga que desse modo pode apoucar postumamente o escritor, engana-se. Pelo contrário, há ataques que engrandecem.

-Imagem - Net -

domingo, 20 de junho de 2010

Visita de família....



O irrequieto Professor Marcelo, falando sempre do que sabe, apressou-se a desculpar a ausência de Cavaco Silva das cerimónias fúnebres de José Saramago: o que interessa, disse, é a presença espiritual.
Outros elaboraram mesmo teses com alguma densidade política para justificar a omissão - tratava-se, afinal, de retaliação patriótica.
Sabe-se agora - que raio de mania de desmentirem o Professor por tudo e por nada... -, pela voz do próprio, que Cavaco só não esteve presente para não quebrar uma promessa à família (e todos sabemos como as promessas e a família são fundamentais): "Todos os portugueses sabem que desde quinta-feira à noite estou nos Açores, em S. Miguel, cumprindo uma promessa que fiz há muito tempo a toda a minha família, filhos e netos, de lhes mostrar as belezas desta região".
É sempre bom sabermos estas coisas. Nas eleições presidenciais que se aproximam, teremos de questionar os candidatos acercas das promessas que fazem às famílias, envolvam elas os Açores ou mesmo a Capadócia.

(Posted by João Magalhães in Câmara Corporativa - Imagem: Net )

quinta-feira, 17 de junho de 2010

S a r a m a g o



Catorze de Junho
Por Fundação José Saramago

Cerremos esta porta.
Devagar, devagar, as roupas caiam
Como de si mesmos se despiam deuses,
E nós o somos, por tão humanos sermos.
É quanto nos foi dado: nada.
Não digamos palavras, suspiremos apenas
Porque o tempo nos olha.
Alguém terá criado antes de ti o sol,
E a lua, e o cometa, o negro espaço,
As estrelas infinitas.
Se juntos, que faremos? O mundo seja,
Como um barco no mar, ou pão na mesa,
Ou rumoroso leito.
Não se afastou o tempo. Assiste e quer.
É já pergunta o seu olhar agudo
À primeira palavra que dizemos:
Tudo.

(In Poesía completa, Alfaguara, pp. 636-637 - Cadernos de Saramago)

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Pau carunchoso



A direita encostada à Igreja anda em desatino com o casamento. Aliás, a direita evangélica sempre andou em desatino com o casamento. Foi assim com o casamento civil, foi assim com o divórcio e é agora assim com esta nova forma de dar aos cidadãos os mesmos direitos independentemente das suas opções.

A direita encostada à Igreja vive em permanente sobressalto com medo que se saiba que nessa mesma direita encostada à Igreja se faz sexo fora do casamento, se usa preservativo dentro e fora do casamento, se fazem divórcios de casados pela Igreja, se registam casamentos fora da Igreja e, para bem do Diabo, até há gente que vive com gente do mesmo sexo. Tudo às escondidas, claro, no segredo do confessionário.

A direita encostada à Igreja anda em homilias a rogar que se leve para Belém um Santinho.

Deus os oiça!

(In Blog " A Barbearia do Snr. Luís)

Uma grande mistificação



É certo que o deputado João Semedo não chega ao desplante de afirmar, nas suas conclusões, que o Governo tinha um plano secreto para controlar a TVI e alterar a sua linha editorial e que o primeiro-ministro mentiu ao Parlamento no dia 24 de Junho de 2009. Mas não menos certo é que aquele deputado não teve a hombridade de ser honesto, verdadeiro e claro como devia, afirmando, preto no branco, a verdade dos factos: que o Governo não conduziu qualquer plano secreto, nem interveio no processo conducente à compra da TVI pela PT, e que o primeiro-ministro disse a verdade ao Parlamento na sessão plenária de 24 de Junho de 2009.

Podemos, assim, concluir das conclusões de João Semedo que os seus deveres e responsabilidades de deputado e relator se curvaram às conveniências da baixa política. Uma lástima!’

( Posted by Miguel Abrantes in Camara Corporativa - Artigo do Público- imagem:Pintura de Sylvia Karle - Marquet )

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Que vá para a Capadócia



Um presidente de um país dizer que "chegámos a uma situação insustentável" não é só uma frase forte. E, pelo cargo, muito menos se pode considerar impensada ou impulsiva ou juvenil ou irresponsável. Ou é um apelo a um golpe de estado, numa escala que vai do palaciano-constitucional ao do tilintar das espadas, sejam estas pretorianas ou de sovietes ansiosos, ou então expressão da vontade cansada de entregar as chaves desta freguesia ibérica a um questor de Madrid ou Bruxelas. Mas, para sermos menos dramáticos, sem severidade demasiada perante a letra da oratória presidencial, digamos que Cavaco Silva aproveitou este 10 de Junho para confirmar que desistiu, por reconhecimento de incompetência própria, de ser parte da solução do país para passar a ser um dos nervos dos seus problemas. Usando a terminologia que é cara a Cavaco, este passou a integrar os défices da “nossa raça”.

( João Tunes no "Vias de Facto" através do Blog Mala Aviada )

domingo, 13 de junho de 2010

T A N A T O S



- Se a posição do grupo parlamentar do PSD continuar a ser a de convicção pela existência de uma conspiração política para controlo da TVI, tanto Passos Coelho como Cavaco Silva terão de ser confrontados e responderem inequivocamente quanto à validação que fazem da acusação. Caso não se demarquem da suspeição, e a repudiem, o Governo deve apresentar a demissão.

- Se há partidos que vão sair da CPI a dizer que a compra da TVI tinha intenções políticas, terão de pedir a demissão de Zeinal Bava e Henrique Granadeiro. Eis um corolário inevitável.

Marcelo alinha no despautério a que assistimos incrédulos, apenas se preocupa com o calendário mais favorável para ir a votos. Os fins justificam os meios, esta a regra de ouro dos sociais-democratas, ensina o Professor. E é muito útil imaginar o que aconteceria se a CPI dispusesse das escutas para fazer os seus interrogatórios. A visão de um Pacheco a espumar da boca, exigindo a Penedos e Vara que descodifiquem esta frase e aquele nome, humilhando-os com a teatralização de uma superioridade moral implacável, é a imagem mesma da degradação suprema. A política teria desaparecido substituída pela tirania da verdade, a verdade dos acusadores.

E para quê? Para que serviria essa tortura quando, à volta das escutas, responsáveis e factos desmentem a possibilidade de conspiração? Para destruir os adversários, ora, ancestral pulsão de morte. Acima de tudo, para o Pacheco poder ir para a velhice convencido de que foi ele quem derrubou o formidável Sócrates.

(In Blog " Aspirina B" - Imagem: Gravura antiga - Net)