domingo, 17 de março de 2013

Lojas a fechar em catadupa !







Mais de 16 lojas a fechar por dia no distrito de Lisboa.

É um ritmo arrasador o que se prevê para este ano de lojas a fecharem portas no distrito de Lisboa: uma média de 16 por dia, ultrapassando a já verificada em 2012. No ano passado, informa a União das Associações de Comércio e Serviços (UACS), a média foi de 13 estabelecimentos a encerrarem, todos os dias, no distrito de Lisboa. “Ainda não dispomos de dados oficiais relativamente aos meses de Janeiro e Fevereiro deste ano e estamos a fazer um levantamento, mas, no ano passado, a média foi de 13 por dia. Em 2013, estimamos que ela aumente para 16 por dia”, diz Carla Salsinha, presidente da UACS, ao Corvo.

Lojas de vestuário, de calçado, de acessórios e, em geral, de bens que não são de primeira necessidade são as mais afectadas, mas o fenómeno “é transversal” no comércio e serviços, considera Carla Salsinha. O aumento do número de estabelecimentos a fechar tem a ver com “a fortíssima quebra de consumo e com duas situações que este ano provocaram uma aceleração: a nova Lei do Arrendamento e o novo regime de facturação.
A primeira fez disparar o valor de muitas rendas e não apenas as mais baixas. Lojas que pagavam 1500 a 2000 euros mensalmente viram os senhorios pedir-lhes o dobro e até o triplo. Apesar de haver um processo de negociação, “os lojistas que já estavam na perspectiva de encerrar os seus estabelecimentos dentro de um ou dois anos, acabaram por fechá-los já no início de Janeiro”, afirma Salsinha.
Outro factor que está a acelerar o ritmo de encerramento dos estabelecimentos frelaciona-se com “o novo regime de facturação, cuja lei está constantemente a ser reformulada, o que está a dar grande confusão”, de acordo com a dirigente associativa.

Texto : Fernanda Ribeiro

(In Blog A DEFESA DE FARO )

A melhor homenagem da DIREITA ao SÓCRATES







No governo de Sócrates o primeiro-ministro deu sempre a cara, pelo bom e pelo mau, pelas medidas fáceis e pelas medidas difíceis. A melhor homenagem que a direita poderia ter prestado a Sócrates foi o desaparecimento por quase dois meses de Cavaco Silva e o abandono a que Passos Coelho e Paulo Portas votaram um desgraçado Vítor Gaspar, condenado à solidão e a enfrentar sozinho as fera. Estes canalhas que rejeitaram o PEC IV ainda vão descobrir que o mais troikismo foi uma ideia do Gaspar e que o Passos Coelho sempre foi contra o memorando. A melhor homenagem à coragem de José Sócrates é a cobardia da direita, para não referir o martírio a que estão sendo sujeitas personagens menores como um tal Vítor Nogueira, de quem se dizia ir ter um grandioso futuro na liderança do partido.
 

(In BLOG " O JUMENTO "  )

quarta-feira, 13 de março de 2013

Da inutilidade









Baptista-Bastos, a propósito do Roteiro de Cavaco Silva. Hoje, no DN.
«Estranha conclusão. O homem é o que é: um medíocre brunido, formal e liso. Com penosa disposição li o texto, porque o alarido a tal me impelia. Os habituais tropeços nas preposições, o confuso desalinho com as adversativas, e a ausência total de qualquer ideia. O costume da banalidade, elevado à nobre condição de "tema." (...) As vinte páginas do extraordinário texto são o retrato (haja Freud e a nossa paciência!) da insólita personagem que nos coube na vida. Custa-me dizer isto: mas o dr. Cavaco, o que diz e o que não diz, e não faz, estão longe de poder ser levados a sério. (...)
A pátria está de pantanas, os jovens abandonam o país onde nasceram; os desempregados fazem multidão; os velhos morrem sós, de fome e de miséria; os suicídios aumentam; todos os ofícios e corporações são atravessados pelo despautério de uma política assassina; e a figura que está em Belém demonstra-se incapaz de admitir qualquer conteúdo dos assuntos correntes.
Disse, após mais de um mês de reclusão, que vai ensinar os portugueses a conviver com a crise, e que tem mais experiência política do que a maioria dos seus antecedentes. Perante isto, creio que temos de redefinir a natureza das nossas decepções e os modos de tornar eficazes o que nos indigna
(O realce é meu.)

Só contaram pra você








«A suposta "crise terrível" nunca passou de uma invenção de comentadores exaltados. Por acaso a Igreja passa por uma fase particularmente feliz da sua longa história.»

João César das Neves


(In Blog Entre as brumas da memória)

terça-feira, 5 de março de 2013

domingo, 3 de março de 2013

Do Terreiro do Paço à apanha da azeitona

"O Terreiro do Paço, onde não cabem 180 mil pessoas, não chegou a encher". Esta notícia do Público de hoje procura assim deitar por terra alguns números avançados pela organização das manifestações de ontem. E o mesmo raciocínio foi ontem seguido pelas televisões ao longo do dia. Só é pena que quem assuma este raciocínio perceba tanto de manifestações como eu percebo da cultura da azeitona.
Como é evidente, não me compete aqui defender os 700 ou 800 mil ontem anunciados pela organização só em Lisboa. Mas qualquer pessoa que tenha estado na manifestação em Lisboa sabe que o Terreiro do Paço não encheu porque a vasta maioria das pessoas não permaneceu ali quando o percurso terminou. E é bastante típico que assim aconteça neste tipo de manifestações.
Ou seja, ao mesmo tempo que desaguavam milhares de pessoas no Terreiro do Paço, outras tantas dispersavam. Relembro que quando a cabeça da manifestação chegou ao Terreiro do Paço, a sua cauda ainda se encontrava no cimo da Avenida da Liberdade. Só jornalistas da cultura da azeitona podem achar que as pessoas lá ficariam à espera até que a praça estivesse completa.














sábado, 16 de fevereiro de 2013

Dona Assunção, como é ?









A excelentíssima reformada aos 42 anos (com uma reforma de 10 000 euros) que tem vindo neste último ano e meio a fazer um part-time como Presidente da Assembleia da República para compôr o seu parco rendimento mensal sentiu-se incomodada com o "Grândola Vila Morena" entoado em plena casa da democracia. Diz ela que "as pessoas não se podem manifestar, especialmente nestas condições". Eu digo, que, "especialmente nestas condições" - a miséria e a destruição no país provocadas pelo partido que a escolheu para o cargo que ocupa - é que os cidadãos podem e devem manifestar-se. E manifestar-se-ão até que a senhora e os representantes dos partidos que a nomearam caiam da cadeira, como aconteceu com um saudoso antepassado que eles devem admirar. Custe o que custar. Temos pena.

(In Blog ARRASTÃO )



quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Francisco José Viegas parte a loiça








Francisco José Viegas manda Fisco “tomar no cu”

Ex-secretário de Estado da Cultura escreveu esta quinta-feira no seu blogue “A origem das espécies” que se algum fiscal das finanças lhe exigir fatura terá “de lhe pedir para ir tomar no cu”
Por:P.P.M.


Leia na íntegra o texto de Francisco José Viegas, dirigido ao secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Paulo Núncio (http://origemdasespecies.blogs.sapo.pt/1368262.html):
"Caro Paulo Núncio: queria apenas avisar que, se por acaso, algum senhor da Autoridade Tributária e Aduaneira tentar «fiscalizar-me» à saída de uma loja, um café, um restaurante ou um bordel (quando forem legalizados) com o simpático objectivo de ver se eu pedi factura das despesas realizadas, lhe responderei que, com pena minha pela evidente má criação, terei de lhe pedir para ir tomar no cu, ou, em alternativa, que peça a minha detenção por desobediência. Ele, pobre funcionário, não tem culpa nenhuma; mas se a Autoridade Tributária e Aduaneira quiser cruzar informações sobre a vida dos cidadãos, primeiro que verifique se a C. N. de Proteção de Dados já deu o aval, depois que pague pela informação a quem quiser dá-la."

(In Jornal Correio da Manhã)

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

História DIplomática









Indispensável para perceber a massa de que era feito o salazarismo. Bernardo Futscher Pereira demonstra como o ditador manobrou durante a Segunda Guerra Mundial, sem por um momento acreditar na vitória dos Aliados, desconfiado de Churchill (e, de certo modo, de Franco), execrando os americanos, usando todos os pretextos para agitar o papão comunista. Que Portugal tenha sido membro fundador da NATO não deixa de ser uma curiosa ironia. Além de portfolio fotográfico, o volume insere trechos de correspondência diplomática. Leitura imprescindível.

 Blog Da Literatura Etiquetas: ,

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

A VOZ DA RÁDIO






No velho Programa 1 da Emissora Nacional, do tempo pré-Abril, existia uma rubrica, típica da Guerra Fria, que continha essencialmente propaganda anticomunista e se destinava a reforçar o semblante psicologicamente atemorizador da «Cortina de Ferro». Encerrava sempre o arrazoado em tom autoritário com a mesma frase, bradada por voz masculina, que dava até o título ao programa: «A verdade é só uma, Rádio Moscovo não fala verdade.» A verdade a que os portugueses tinham direito era então determinada pelo controlo ou pela vigilância das quatro estações de rádio em onda média, curta ou FM permitidas pelo regime. Do outro lado do continente, pela mesma época, para a imensa maioria dos cidadãos a questão punha-se de uma forma muito idêntica: apenas podiam ouvir rádio, em casa, nas lojas, nas cantinas ou nos locais de trabalho, através de aparelhos como este, construídos sem sintonizador, com um só botão para ligar/desligar e para aumentar ou diminuir o volume. Desta forma forçados a ouvir sempre a mesma voz. Como aquela que se podia ouvir deste lado, apresentada como certa, segura e rigorosamente indiscutível. A pesada Voz da Verdade.


(In Blog  A Terceira Noite )