sexta-feira, 11 de maio de 2012
BILHETE POSTAL
À medida que Passos Coelho vai ficando com um ar menos juvenil, Relvas com um ar mais siciliano, Moedas com um ar mais ou menos igual ao que sempre teve e Macedo com um ar mais neo-beato, Gaspar acentua as olheiras ao informar, na casa da democracia, que não é mentiroso nem trapaceiro, revelando a estoicidade necessária para conduzir o navio até aos braços do Adamastor mantendo a pose de quem sabe ler um astrolábio.
De Portas, de Álvaro e das ministras desaparecidas em combate sabe-se estarem de boa saúde porque ainda não foi emitido qualquer boletim médico a informar terem-se finado.
Nós por cá, vamos andando, graças a Deus com saudinha da boa, agora que o frio deixou de nos vestir e o reduzido dos panos se fez moda. Vem aí o Rock in Rio Tejo, coisa anunciada em grande para manter calmos os jovens em trânsito das festanças das fitas para as do êxodo prometido. Estamos felizes, embora o Sol só se veja pelas abertas e o azul seja às riscas.
De resto, nada de novo. Lá vamos empobrecendo conforme decretado, com os fundilhos cada vez mais rotos pela acção do fisco, embora informem que os impostos não aumentam, ociosos como nunca por acção da contradição que exige mais produtividade enquanto extingue a máquina produtiva e mantendo-nos um povo ingrato e ignaro que não reconhece o bem que lhes faz esta dieta de recessão a caminho de uma nova ordem.
LNT
In A Barbearia do Senhor Luís
quinta-feira, 10 de maio de 2012
Privatizar espiões é emagrecer Estado.
«O cerco aperta-se. O Ministério Público já deve ter reparado que as minhas crónicas estão cheias de "li no Público...", "como dizia Le Monde..." Os magistrados não são tolos, vão relacionar-me com o escândalo do SIED e de Jorge Silva Carvalho. Este, depois de se demitir de superespião e ter ido para a Ongoing, continuou a receber o clipping dos serviços secretos e distribuía-os por privados. Ora, apesar do nome inocente, clipping não quer dizer entortar fios de arame para material de escritório: esse serviço consiste em fornecer recortes de jornais. É das aventuras mais perigosas de um espião português: contactar um agente adormecido, que é como costumam estar os velhotes dos quiosques, e depois de municiado de resmas de jornais, ir, rasando os muros, para a sede. No gabinete sem janelas, o agente secreto recorta os jornais. Como só há uma coleção (crise...), os segredos locais (por exemplo: "o gato de Honório Novo chama-se Gaspar") vão para o SIS, segurança interna, e os internacionais, para o SIED, segurança externa. Aqui entra outra coincidência que me incrimina: no meu jornal há quem me chame "grande recórter" por andar a cortar jornais e a distribuir notícias... Ainda vou acabar por ser o único incriminado no processo. Sim, porque o ex-espião Silva Carvalho, acusado de pôr atuais espiões a trabalhar para os privados, tem álibi: não é essa a moda? Se se fala de privatizar cemitérios e prisões, por que não, espiões?» [DN]
Autor:
Ferreira Fernandes. In Diário de Noticias.
terça-feira, 8 de maio de 2012
O QUÊ ?
«O Governo e a Igreja chegaram a acordo para a suspensão dos feriados religiosos do Corpo de Deus e de Todos os Santos a partir de 2013 e durante cinco anos, informou hoje o Ministério dos Negócios Estrangeiros e o Ministério da Economia e do Emprego num comunicado conjunto.» [DE]
Parecer:
Quando se colocou a hipótese de reduzir o número dos feriados religiosos a Igreja Católica Apostólica Romana disse que sim, que poderia aceitar a eliminação de dois feriados religiosos desde que fossem eliminado outros dois não religiosos, entretanto a coisa teria de ficar para 2013 pois era necessário negociar a concordata.
Isto é, os representantes locais de um Estado soberano estrangeiro, o Estado do Vaticano, puseram condições a um Estado igualmente soberano e laico para eliminar dois feriados, para que o pessoal do Vaticano aceitasse a perda de dois feriados religiosos teriam de ser eliminados dois feriados ligados à história de um país independente, por sinal mais antigo do que o Estado do Vaticano.
Temos, portanto, os representantes do Estado do Vaticano a gozarem com os palermas que governam um país independente, quie começam por aceitar a eliminação de feriados que celebram a história do seu país, incluindo o feriado que celebra a independência do país, a troco da eliminação temporária de dois feriados religiosos. Tudo isto imposto por representantes locais de um Estado estrangeiro!
Chegamos agora ao absurdo de os governante de um país independente aceitarem a eliminação definitiva de dois feriados da sua história enquanto dois feriados religiosos serão suspensos durante cinco anos.
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»
(In Blog o Jumento - Foto: Net )
quarta-feira, 2 de maio de 2012
JOGAR COM O MEDO
Uma fina e quase invisível linha que separa a civilização da barbárie ficou bem patente ontem, com a promoção do Pingo-Doce.
Populações comprimidas com tanta falta de poder de compra, sem prever melhores tempos, tudo fazem para aproveitar as oportunidades. Mas a exploração do que de mais selvático e desumano há em cada um de nós e que se revela em situações de medo, foi exactamente o que o grupo Pingo-Doce fez, com evidentes objetivos comerciais e políticos – será que também vão propor o mesmo a 25 de Dezembro? Ou há feriados mais feriados que outros? Deveríamos ponderar seriamente o significado de certos símbolos na nossa sociedade actual. E quais os valores com que assumimos as nossas vidas e as nossas dificuldades.
É sempre humilhante confrontarmo-nos com o nosso lado animalesco. Como sociedade perdemos a dignidade.
Temas: economia, política, sociedade
publicado por Sofia Loureiro dos Santos in Defender o Quadrado
Fotografia: Gerardo Santos Global Imagem
terça-feira, 1 de maio de 2012
Também já " Tive" um Pobrezinho !
Numa tarde de um domingo de Junho, estava eu sozinho em casa a estudar para um exame, quando tocaram à porta. Fui ver quem era. Era um pedinte, velhinho simpático, que me pediu comida. Advertiu-me desde logo que não queria dinheiro, só comida.Fui ao frigorífico, recolhi algumas coisas e dei-lhe.
No domingo seguinte, o velhote voltou a bater à porta. Trazia os recipientes que eu lhe entregara com a comida. Desta vez os meus pais estavam em casa e foi a minha mãe que se encarregou da tarefa de lhe arranjar alguns alimentos.
Não sei a conversa que terão tido mas, na semana seguinte, à hora do almoço, a minha mãe disse para a empregada:
Prepare a comida do pedinte, antes de servir o almoço.
O pedinte chegou à hora habitual . Naquele e em muitos outros domingos que se seguiram. No bornel, não levava os restos do nosso almoço. Levava o seu quinhão pois, nas contas do almoço de domingo, a minha mãe já contava com ele, como se de um convidado se tratasse.
Foi assim que eu aprendi a tratar os pedintes que têm fome. A dar-lhes uma parte do que é meu e não as sobras.
É por isso que me indigno com as campanhas que visam branquear a miséria de muitos, com uma solidariedade envergonhada, que serve para tranquilizar algumas consciências, mas não para resolver os problemas de quem tem fome.
Isto não vai lá com cantigas!
Carlos Barbosa de Oliveira nas Crónicas do Rochedo
Postado por aviador (Mala Aviada)
quinta-feira, 26 de abril de 2012
A Revolta dos Elefantes
Aqui vos deixo a imagem do momento no Botswana. Não se fala noutro assunto. Por toda a selva, gerou uma onda de indignação que só vista. Toda a gente sabe que os reis, e lá também, são uma espécie protegida. Bom, exceptuando o rei leão, essa importante fonte de receitas de turismo que, convenhamos, sentimentalismos bacocos ao largo, poderia bem ser aproveitada também pelos nossos vizinhos para equilibrar as contas públicas espanholas.
( In Blog o "País do Burro " )
sexta-feira, 20 de abril de 2012
Pedido lancinante aos eleitores do PSD e CDS
As pessoas estão completamente disponíveis para se sacrificarem e para trabalharem mais
( Vítor Gaspar, Ministro das Finanças )
quarta-feira, 18 de abril de 2012
Uma Senhora Ministra loira

É uma pena que a ministra ande tão empenhada no enriquecimento ilícito e não disponibilize os meios financeiros para que os submarinos sejam investigados. Algo está muito podre quando um governo pode "gerir" o que o MP pode investigar através da asfixia financeira.
«O procurador-geral da República (PGR) justificou esta terça-feira o atraso na investigação do caso da compra de dois submarinos à Alemanha com a falta de dinheiro para a realização de perícias.
"É muito difícil quando mete perícias. São caríssimas e temos estado à espera que o Ministério da Justiça disponibilize a verba", disse Pinto Monteiro, a propósito do inquérito sobre a compra de submarinos que está a ser investigado há anos pelo Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP).» [CM]
2 e 2
Paulo Portas decidiu a compra de dois submarinos.
O MP provou que houve corrupção no negócio.
Suspeitas de corrupção desencadearam uma investigação em Portugal.
Paulo Portas lutou desesperadamente por fazer parte do governo, dizia ele que era para amaciar o Passos Coelho.
A direita chegou ao governo.
O ministério da Justiça promove o enriquecimento ilícito ao mesmo tempo que não dá dinheiro ao MP para que este possa investigar.
O processo dos submarinos está paralizado por falta de meios financeiros.
Enfim, dois e dois são três.
(In Blog o Jumento - Imagem Net )
quinta-feira, 12 de abril de 2012
Ninguém pia ?

Uma das polémicas que mais galvanizaram a bloga durante o consulado Sócrates foi a da proibição do fumo em restaurantes, bares e cafés. Arbítrio, totalitarismo, intromissão intolerável na liberdade dos cidadãos, de tudo o governo foi acusado por jornalistas e bloggers que hoje são secretários de Estado, adjuntos e assessores de gabinetes ministeriais e dos grupos parlamentares do PSD e do CDS-PP. Agora, o governo prepara-se para: a) acabar com as máquinas automáticas de venda de tabaco; b) estabelecer a proibição de fumar à porta de restaurantes, bares e cafés; c) acabar com o regime misto actualmente em vigor (o proprietário decide). E ninguém vai piar.
Etiquetas: Tabagismo
posted by Eduardo Pitta in Da Litertura - Imagem: Net
terça-feira, 3 de abril de 2012
Pessoalmente gosto mais da Leopoldina

A ERC deliberou sobre uma queixa apresentada por leitores da revista Notícias TV (suplemento comum do DN e do JN) que publicou pelo último natal uma entrevista a uma mascote chamada Popota. Dizem os queixosos tratar-se de publicidade encapotada a uma marca de distribuição e a ERC acaba por lhes dar razão.
Mas vale a pena ler a deliberação, partilhada aqui pela Maria João Pires. Tem muito "food for thought" sobre a evolução dos critérios que definem o interesse noticioso ou jornalístico, ficando bem patente que esses critérios estão em acelerada evolução.
Tentando fugir a uma análise apreciativa ou moral - até porque a entrevista pareceu servir os interesses quer da agência quer dos meios que a publicaram - apenas registo que o infotainment veio para ficar. E que cada vez é mais difícil definir interesse público, quando os actores da comunicação e dos media valem pelo seu impacto e popularidade junto do público.
Vale também a pena notar que os personagens de ficção não se resumem a figuras de animação. Quando assistimos todos os domingos a um talkshow como o de Marcelo Rebelo de Sousa, inserido num telejornal, onde se misturam livros, cantores, análise política, futebol e familiares do entertainer, como classificar esse momento televisivo? Não será Marcelo também um personagem de ficção?
In Blog " Lugares Comuns" Atelles
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