quarta-feira, 30 de junho de 2010

O Guarda_Chuva de Bruxelas



Se existisse um Parlamento Europeu que fosse mesmo um Parlamento (eleito com listas europeias e não um somatório de listas nacionais) e se existisse uma espécie de governo europeu que emanasse desse parlamento, teria sido possível arrastar os pés com a crise grega e depois fazer passar este pacote insensato de sufoco orçamental coordenado e recessão?

Não sabemos. Mas sabemos que há uma grande diferença entre parlamentos e governos eleitos, que têm de prestar contas aos eleitores, e clubes de governantes (eleitos e não eleitos) como o actual conselho e comissão. Um governante eleito pode ser responsabilizado, o membro do clube pode sempre atribuir as responsabilidades ao clube no seu conjunto e assobiar para o ar.

É como se o governo português não tivesse querido o PEC1 e muito menos o PEC2 e tivesse sido o clube a mandar… E o mesmo tivesse acontecido com o governo Espanhol, e o Grego, e o Francês e se calhar até o Alemão. Individualmente nenhum queria. É pelo menos o que nos dão a entender e o que nos dizem se interrogados em privado. O pior é quando se reúnem à sombra uns dos outros: aí o que nenhum quer é o que todos escolhem.

A arquitectura actual da UE é um guarda-chuva para inimputáveis.


(Publicada por José M. Castro Caldas em " Ladrões de Bicicletas" - Imagem: www.perigot.fr )

terça-feira, 29 de junho de 2010

Pelo menos que façam de conta......



«Há dias, um ministro de Sarkozy foi obrigado a devolver os 12 mil euros com que fora reembolsado pelo Estado por charutos que fumou nos últimos dez meses. Escândalos destes não matam um Governo mas moem sempre. E em épocas de crise quando a ordem para baixo é cortar (dizem os governos europeus, a União Europeia e, agora, até o G20) o desgoverno dos dinheiros públicos desarma a vontade dos povos. Sarkozy não é exactamente um doutrinário (em época de vacas gordas, embora continuasse a ser um abuso, ele fecharia os olhos aos charutos) mas uma qualidade há que reconhecer-lhe: é um líder a quem não é indiferente a opinião pública. Chamem-lhe demagogo, riam-se da pouca relevância das medidas, mas ontem o que ele disse é político: "Um euro público deve ser um euro útil." É frase soprada por publicitário, mas ela enquadrou um conjunto de medidas práticas: a recepção anual do 14 de Julho anulada este ano (poupança de 750 mil euros), gabinetes ministeriais encurtados, dez mil automóveis estatais suprimidos até 2013, menos viagens e mais baratas... Só um ingénuo ignora que o apetite voltará quando puder. Mas só quem se está nas tintas para a opinião pública não aceita que os de baixo precisam de guardar uma ilusão: que, pelo menos, os de cima fazem de conta. Mas não o fazem todos os políticos? Não, havia um que fumava charutos à pala. » [DN]

Parecer:

Por Ferreira Fernandes. D.N. - BlogO Jumento - Imagem: malmaior.blogspot.co

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Uma Rádio muito católica.......




Olhe Raquel, não sei se sabe, estar vivo é o contrário de estar morto (bom, talvez na Renascença seja diferente)

Raquel Abecasis, que desempenha uma qualquer função de chefia na Rádio Renascença, tem uma forma muito peculiar de fazer opinião.
Por exemplo, hoje de manhã, Raquel debruçava-se sobre os "mundos diferentes" de Sócrates e Cavaco para, de súbito, atirar, aparentemente a despropósito: Bem diz o ditado que “quem com ferros mata com ferros morre”.
Raquel queria apenas cumprir a tarefa diária de "malhar no Sócrates". Faltava-lhe o pretexto. Entende-se - as manhãs de segunda-feira são terríveis...

(Posted by João Magalhães in " Câmara Corporativa - Imagem: www.triplosentido.com)

domingo, 27 de junho de 2010

Falta de Juízo ?



justiça, a política e a comunicação social.
Neste país, ninguém é penalizado pela incompetência profissional. Leio nos jornais que uma cidadã, Manuela Moura Guedes de seu nome, aquela senhora que, notoriamente, tem uma obsessão por José Sócrates, apresentou na «Justiça» uma queixa-crime, por injúrias (ou difamação), contra o primeiro-ministro. Está no seu direito. No entanto, o advogado da senhora desconhece a lei e entregou a dita queixa no DIAP em vez de a entregar na secção criminal do Supremo Tribunal de Justiça; o procurador adjunto do Ministério Público também desconhece a Lei e, em vez de remeter a denúncia para o Tribunal competente, abriu inquérito e encaminhou para o juiz titular do 4º juízo do Tribunal de Instrução Criminal o pedido de constituição de arguido do primeiro-ministro; o Juiz do Tribunal de Instrução Criminal também desconhece a Lei e pediu à Assembleia da República autorização para a constituição de arguido. A comissão de Ética da Assembleia da República já informou o senhor Juiz que não está nas competências do parlamento autorizar o bizarro pedido. Parece que alguém já explicou a todos estes «operadores de justiça» que desconhecem a Lei e que todos os seus actos são nulos. São nulos, mas produzem efeitos. Não na Justiça, mas na comunicação social. E, provavelmente, era essa a intenção da autora da queixa, que esta produzisse os seus efeitos na comunicação social. Já produziu à custa de incompetência várias e risíveis desconhecimentos da Lei por parte de quem tem, por dever profissional, conhece-la. Este é um exemplo paradigmático do modo como a Justiça anda a reboque da comunicação social. Este caso está na linha daquele em que um advogado britânico requereu a um Tribunal que prendesse o Papa quando este chegasse a Londres.
Tomás Vasques
(In Blog " Carlos Alberto" - Imagem Net - Cute)

sábado, 26 de junho de 2010

Cavaco Silva pré-candidato às presidenciais



É cada vez mais evidente o conceito de cooperação estratégica de Cavaco Silva, quando o governo fica bem na fotografia, quando enfrenta dificuldades o presidente da república assume o estatuto de líder da oposição. Não sei se Sócrates se estava a referir directamente a Cavaco Silva quando criticou os arautos do pessimismo, mas a verdade é que se as empresas de rating considerassem apenas as declarações de Cavaco Silva o país já estaria "proibido" de se financiar no mercado de capitais.

Quem é honesto ou fala sempre verdade, como disse Cavaco Silva, não o precisa de afirmar e reafirmar sempre que está em dificuldades. De qualquer das formas mesmo que Cavaco seja muito honesto não conseguiu explicar aos portugueses como é que ganhou 100% num negócio de compra e venda de acções em que os preços foram fixados administrativamente por Oliveira e Costa. Até poderá falar sempre verdade mas as suas declarações acerca das suspeitas de que a Presidência da República estava sob escuta deixaram muitas dúvidas nos portugueses.

Cavaco Silva está cada vez mais em campanha eleitoral não assumida o que até pode ser bom, tendo a percepção de que está a ser visto com maior atenção tenderá a ser mais agressivo como vimos hoje, dando-se a conhecer. Só que pode poupar o país a declarações de honestidade, como a que fez hoje, ou as que fez em relação a Dias Loureiro ou quando (não) explicou os seus negócios no mercado de acções não cotadas.

(In Blog " O Jumento" - Imagem: Robert Peluca )

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Folheando o Diário Económico



«Um dia, mais tarde ou mais cedo, vai saber-se que a crise actual foi decidida num dos muitos centros de poder oculto espalhados pelo mundo. Um dia, alguém tem acesso a documentos de uma reunião de um clube privado tipo Bilderberg, a uma inconfidência por parte de uma fonte género Trilateral, a uma acta redigida e assinada por mãos invisíveis, e lá virá a lume a criação e implantação de uma estratégia da crise para acabar de vez com os direitos conquistados pelos assalariados desde a revolução industrial, para exterminar os direitos humanos de cariz social.»

(João Paulo Guerra)

«A política [de austeridade] alemã é um perigo para Europa e pode destruir o projecto europeu. (,,,) Actualmente, os alemães estão a arrastar os seus vizinhos para a deflação. E isso poderá conduzir ao nacionalismo e à xenofobia. A democracia pode estar em risco.»

(George Soros)

(In Blog: Ladrões de Bicicletas - Imagem: Net )

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Qual a estratégia de Passos Coelho ?



A estratégia de Pedro Passos Coelho começa a ser evidente, não lhe interessa disputar eleições a curto prazo, pelo menos enquanto as expectativas económicas não forem mais simpáticas e as medidas difíceis forem necessárias. Até lá o PSD assume duas faces, assume a postura do partido responsável apoiando as medidas difíceis que prefere que sejam adoptadas pelo governo, ao mesmo tempo pisca o olho aos eleitores sempre que as circunstâncias o proporcionem.

A estratégia tem tanto de inteligente como de demasiado evidente, podendo levar os eleitores a perceberem-no, o que poderá levar muitos a interrogar-se se os pedidos de desculpas de Pedro Passos Coelho serão sinceros ou não passam de um comportamento manhoso. Até porque pelas propostas de revisão constitucional vindas de personalidades próximas de Passos Coelho percebe-se que Passos Coelho não só quer a “casa arrumada” como ainda pretende uma revisão constitucional que lhe abra as portas a um programa liberal.

Passos Coelho quer chegar ao governo com as medidas difíceis adoptadas pelo actual primeiro-ministro, com as contas públicas arrumadas e sem entraves constitucionais para privatizar uma parte significativa da saúde e do ensino, restando saber se as reformas que pretende ficam pelas mais ou menos assumidas ou se regressa aos velhos projectos da direita de reduzir a Função Pública em 150.000 funcionários.

Se conseguir uma maioria absoluta, isoladamente ou em coligação com o CDS, Pedro Passos Coelho teria uma situação financeira que lhe permitiria adoptar medidas eleitoralistas capazes de abafar alguma contestação social, que nem será significativa pois a esquerda conservadora costuma ser dócil com governos de direita, podendo, finalmente, promover a reforma que a direita liberal sempre desejou.

Resta saber se Pedro Passos Coelho vai alimentar tricas políticas para gerir as sondagens ou se terá coragem para dar a conhecer aos portugueses todo o seu programa. Por outras palavras, resta saber se Pedro Passos Coelho terá coragem ou se optará por adoptar uma estratégia manhosa, se apresentar os programa pode perder votos ainda que elimine o CDS, que optar por ser manhoso poderá ser “apanhado” pelos eleitores.

(In Blog" O Jumento" - Imagem: Laurie Lipton 4)

terça-feira, 22 de junho de 2010

Elogios que não se ouvem...........



Lisboa, 22 jun (Lusa) -- O programa Simplex, a abordagem na distribuição de serviços públicos e as iniciativas e.escola e e.escolinha foram destacados pelas Nações Unidas como três iniciativas "inovadoras" de "modernização" dos serviços públicos em Portugal.

De acordo com as Nações Unidas, "o programa Simplex é um exemplo da administração do futuro que para além de promover o acesso à informação e estimular a sua partilha, fomenta a participação dos cidadãos na criação de serviços públicos à sua medida", segundo um comunicado do gabinete do ministro português da Presidência.

Estima-se que até 2011 seja possível aceder a todos os serviços públicos 'online' através destes dois portais.

(In aeiou Expresso - Imagem: Net )

segunda-feira, 21 de junho de 2010

I n t o l e r a n c i a



Intolerância
[Publicado por Vital Moreira] [Permanent Link]
O selvagem ataque do Osservatore Romano a José Saramago, no dia seguinte à sua morte, mostra que o Vaticano continua a ter uma leitura puramente ideológica da literatura, esquecendo que Saramago, independentemente das suas ideias e convicções, é o grande escritor que é pela qualidade da sua escrita, pela mestria da sua linguagem e pela sua criatividade ficcional. E mostra igualmente que o Vaticano continua tão intolerante com os não crentes como sempre foi, como se o humanismo fosse um monopólio religioso. Não podendo já mandá-los para a fogueira da Inquisição, não poupa porém no ódio nem no rancor.
Se o Vaticano julga que desse modo pode apoucar postumamente o escritor, engana-se. Pelo contrário, há ataques que engrandecem.

-Imagem - Net -

domingo, 20 de junho de 2010

Visita de família....



O irrequieto Professor Marcelo, falando sempre do que sabe, apressou-se a desculpar a ausência de Cavaco Silva das cerimónias fúnebres de José Saramago: o que interessa, disse, é a presença espiritual.
Outros elaboraram mesmo teses com alguma densidade política para justificar a omissão - tratava-se, afinal, de retaliação patriótica.
Sabe-se agora - que raio de mania de desmentirem o Professor por tudo e por nada... -, pela voz do próprio, que Cavaco só não esteve presente para não quebrar uma promessa à família (e todos sabemos como as promessas e a família são fundamentais): "Todos os portugueses sabem que desde quinta-feira à noite estou nos Açores, em S. Miguel, cumprindo uma promessa que fiz há muito tempo a toda a minha família, filhos e netos, de lhes mostrar as belezas desta região".
É sempre bom sabermos estas coisas. Nas eleições presidenciais que se aproximam, teremos de questionar os candidatos acercas das promessas que fazem às famílias, envolvam elas os Açores ou mesmo a Capadócia.

(Posted by João Magalhães in Câmara Corporativa - Imagem: Net )