quarta-feira, 7 de abril de 2010

IGREJA AMERICANA GASTOU BILIÕES DE DÓLARES COM CRISE DA PEDOFILIA



A crise dos padres pedófilos custou três biliões de dólares à Igreja católica dos Estados Unidos mas apenas alguns culpados foram julgados e presos e pouco se fez contra aqueles que encobriram os abusos sexuais a menores cometidos por sacerdotes católicos.

Depois de anos de revelações escandalosas, os Estados Unidos estão a tomar medidas para combater esta crise sem precedentes que atinge a Igreja e que nas últimas semanas chegou ao Vaticano e ao Papa. Bento XVI é acusado de ter protegido padres pedófilos quando era arcebispo de Munique e quando estava à frente da Congregação da Doutrina da Fé (1981-2005).

O jornal norte-americano “National Catholic Reporter” aponta hoje no editorial a má gestão da crise por parte da Igreja, como também afirmou ao SAPO o Padre Mário de Oliveira. O silêncio por parte dos padres e seus cúmplices, bem como das vítimas, que foram alvo de intimidações ou indemnizações, parecem ser o principal problema desta crise.

Ainda nesta quarta-feira, a Igreja da Noruega divulgou um comunicado em que um antigo bispo confessava abusos sexuais cometidos há 20 anos atrás.

(In Notícias Sapo pt)

Passos Coelho e Cavaco: Eles não se podem ver



A distância entre Aníbal Cavaco Silva e Pedro Passos Coelho tem dois nomes: propinas e PGA (prova geral de acesso). Estava-se no início dos anos 90, quando o actual Presidente da República era primeiro-ministro e Passos Coelho presidente da JSD.

Como toda a comunidade estudantil, da juventude comunista à juventude centrista, Passos Coelho estava contra a alteração da lei das propinas do então ministro da Educação, Couto dos Santos. A sucessora na pasta viria a demonstrar- -se ainda pior para a JSD: nem mais nem menos do que a antecessora de Pedro Passos no partido, Ferreira Leite.

O projectado aumento das propinas e a posterior tentativa de introdução de uma prova de ingresso ao ensino superior levou os estudantes a manifestarem--se por todo o país, mostrando aquilo a que Vicente Jorge Silva, então director do "Público", chamou "geração rasca". A Jota de Passos estava contra as propinas e contra a PGA.

Houve vários episódios que distanciaram o líder da JSD do governo dirigido por Cavaco Silva. Um deles aconteceu logo no início do mandato de Passos, que sucedeu a Carlos Miguel Coelho. Os dirigentes da distrital do Porto da Jota, melindrados com a sucessão, decidiram não comparecer no primeiro congresso de Passos Coelho. Entretanto, quando Falcão e Cunha, então secretário-geral do PSD, fez as listas de candidatos a deputados, a JSD entendia que um dos seus dirigentes - Luís Nobre - deveria estar em 26.o lugar na lista e não em 29.o, depois dos elementos da JSD do Porto que tinham boicotado o congresso de Passos Coelho. "O que estava em causa não era Luís Nobre - que todo o partido tratava então por Becas - mas a representação da JSD no Parlamento", lembra um vice-presidente da organização de juventude. Passos Coelho teve uma posição firme: ou Becas entrava como 26.o ou Passos não aceitava ser candidato. Ganhou o braço-de-ferro, com a mediação de Manuel Dias Loureiro, forçando a alteração da lista.

A guerra das propinas é o pontapé de saída para uma relação política difícil entre Cavaco e Passos Coelho. Domingos Duarte Lima, presidente do grupo parlamentar do PSD, impôs disciplina de voto à bancada. A JSD tinha nessa altura 13 ou 14 deputados. E só Pedro Passos Coelho quebrou a disciplina de voto, chumbando a lei do PSD. Foi na sequência da imposição de disciplina de voto que Pedro Passos se demitiu e convocou um congresso extraordinário da JSD, no qual voltou a ser eleito com maioria reforçada.

O próprio Luís Nobre, hoje advogado, considera que a guerra das propinas foi "uma verdadeira hecatombe", e que na altura foi determinante. "O PSD perdeu nessa altura a JSD porque esta perdeu o país", explica Luís Nobre. Os estudantes estavam na rua e não percebiam o sentido de votação do partido social- -democrata. A partir daí as relações foram muito más.

Por fim, a separar Cavaco Silva e Pedro Passos Coelho, há o percurso pessoal do novo presidente do PSD. Pedro Passos Coelho cometeu um pecado capital, na perspectiva do antigo presidente do PSD. "Veio para Lisboa para cursar a universidade e ficou sete anos no primeiro ano de Matemática. Para Cavaco isso era determinante", resume um cavaquista. A verdade não é exactamente essa. Passos de facto desistiu do curso de Matemática porque não conseguia conciliar as aulas com a presidência da JSD, o cargo de deputado e a vida familiar. Aliás, anos mais tarde, quando voltou à universidade, mudou de curso, licenciando--se em Economia - tendo sido o melhor aluno do seu curso uns anos mais tarde do que teria parecido bem ao antigo primeiro-ministro.

Mas o próprio Passos Coelho não tem problemas em afirmar que a sua relação com Cavaco Silva "não foi politicamente fácil" e que o contraste entre o discurso de encerramento e a primeira reunião da JSD com o primeiro-ministro "não podia ser maior". Cavaco, escreve Passos, "parecia algo desconfiado e tenso". Um membro da direcção da Jota dessa época recorda ao i que "Cavaco deveria achar o Pedro insolente". "Acredito que a partir de certa altura me tenha tornado um pouco incómodo", admite o novo líder do PSD. Afinal, foi a JSD que obrigou Cavaco a recuar no pré-acordo com Soares e o PS para a aprovação da amnistia aos presos das FP-25, ameaçou não votar o Orçamento pós-propinas e pediu a Marcelo Rebelo de Sousa para elaborar um projecto de revisão constitucional alternativo ao do PSD. Chega? Com Ana Sá Lopes

(In Jornal " I" - )

terça-feira, 6 de abril de 2010

A N O S - L U Z




Entre a luz que vemos e a realidade dessa luz podem passar milhões de anos-luz. Mas a luz que vemos não é menos real. Apenas nos aparece com uma constância inversamente proporcional à distância que as separa.

Entre a vida que temos e a que conhecemos, em nós e naqueles que abraçamos, há tantas vidas como segundos de vida, tantos abraços como partículas de luz. Apenas nos sabe ao gosto de uma parcela de felicidade.



Temas: o ciclo da pedra

(Publicado por Sofia Loureiro dos Santos " Blog Defender o Quadrado " Imagem: Net )

"Disparar" primeiro, conseguir depois !




O Público, depois de ter disparado, lá "conseguiu contactar" dois juristas (fabulosa expressão - num país de juristas, o Público "conseguiu" contactar dois, parabéns pelo esforço...).
Que disseram o óbvio: sem remuneração, os deputados podem fazer tudo. O limite - ao contrário do que o Público anda a impingir há dois anos - não é qualquer parecer da PGR, mas sim o regime de incompatibilidades. Os deputados não podem exercer funções, remuneradas ou não, incompatíveis com o seu estatuto. E isso está legalmente fixado.
O parecer da PGR aplica-se, como qualquer pessoa de boa fé pode constatar, apenas às funções remuneradas - o que a AR queria saber, quando pediu o parecer, era que funções remuneradas podiam os deputados exercer. Claro como a água - exactamente o inverso da peculiar interpretação do Público.

Já agora, as televisões, que ontem bombaram todo o dia a manchete idiota do Público, não tencionam ouvir também uns juristas? Será que "conseguem"? Sim, é melhor não, correriam o risco de estragar uma "boa história".

(Posted by João Magalhães in " Câmara Corporativa)

segunda-feira, 5 de abril de 2010

20 000 luvas submarinas



-Cartoon de Rodrigo in Expresso online, 05-4-2010 - Blog Horta do Zorate -

E AGORA PEDRO ?




O país precisa de uma oposição credível e isso pressupõe um PSD competente, capaz de chamar a si o papel de alternativa, não permitindo que a oposição caia na rua entregue a magistrados manhosos e jornalistas menos escrupulosos.

A liderança de Manuela Ferreira Leite foi um desastre para o PSD e para o país. Para o PSD porque em vez de apresentar um projecto para o país a liderança do partido optou por andar aos caixotes, apostou tudo nas consequências da crise financeira e dos golpes infligidos pelo Ministério Público ao primeiro-ministro, o PSD especializou-se no golpe baixo e a comissão parlamentar de inquérito é um exemplo disso. Para o país porque permitiu que outros fizessem o trabalho sujo na esperança de isso o conduzir ao poder, o país deixou de discutir os seus problemas e em vez de ouvir as propostas feitas pela oposição passou a dar importância a personalidades como o senhor Palma.

Pedro Passos Coelho confronta-se agora com duas alternativas, ou não resiste à tentação do poder a qualquer custo e continua, como Manuela Ferreira Leite, a desempenhar o papel de limpa-fundos do aquário político nacional, alimentando-se do lixo dos procuradores, ou convence o país de que as suas propostas para o país são melhores do que as do José Sócrates.

Como se pode ver pela edição de hoje do jornal Público não faltam os que querem ajudar Passos Coelho a chegar ao poder pela porta das traseiras, os que tentaram impingir-nos Manuela Ferreira Leite estendendo-lhe uma passadeira com recortes do Sol e do Público ou com peças de processos judiciais, vão agora acenar a via do golpe baixo a Pedro Passos Coelho.

Só que a alternância democrática faz-se com debate de ideias e não com o jogo sujo promovido por directores de jornais sem grandes princípios, magistrados convencidos de que são justiceiros ou assessores presidenciais sem escrúpulos. Manuela Ferreira Leite optou por este caminho e perdeu.

Se Passos Coelho optar por tentar chegar ao poder promovendo o pantanal em que alguns pretendem meter o país vai perder como perdeu a sua antecessora. O país precisa de um debate sério, a democracia vive de debates transparentes e não da leitura de escutas judiciais, o futuro primeiro-ministro, seja ele quem for, deve ser escolhido pelos portugueses e não ser uma marioneta de magistrados e directores de jornais.

(In Blog " O Jumento" - Imagem: Net )

domingo, 4 de abril de 2010

A casa do Pai não é nossa. É Dele !



Em Cordoba cristãos impediram muçulmanos de rezar dentro da Catedral. Pobres coitados! Os ditos Cristãos, claro. Dois mil anos depois, continuam sem perceber a sua própria Religião.
(a) Rodrigo Moita de Deus em 31 da Armada .- A.F.P.

"" Dois jovens muçulmanos austríacos detidos na noite de quarta-feira quando pretendiam orar na Grande Mesquita de Córdoba (sul da Espanha), transformada em Catedral, agiram desta maneira em consequência da beleza do lugar, afirmou o movimento Juventude Muçulmana da Áustria (JMA).

Os dois jovens foram detidos quando seis integrantes de um grupo de 118 muçulmanos ajoelharam para orar de acordo com o ritual muçulmano, o que é proibido no local, transformado em Catedral no século XIII, e que figura na lista de patrimônio mundial da Unesco.

"O grupo estava dominado pela beleza e a atmosfera espiritual do lugar, a tal ponto que um pequeno grupo decidiu orar de forma espontânea, sem ter a menor ideia das consequências que isto poderia acarretar", afirma um comunicado da JMA.

O JMA manifestou esperança na libertação dos turistas.

O bispo de Córdoba, Demetrio Fernández González, acusou os turistas de terem "provocado e organizado" o incidente.

Mas o bispo acrescentou que foi "um incidente isolado que não representa a verdadeira identidade dos muçulmanos".

sábado, 3 de abril de 2010

DIA DO JUDEU



Na minha infância o sábado da Semana Santa era o dia de Judas ou, mais genericamente, o dia do Judeu, a tradição popular deste dia consistia em fazer bonecos, os judeus, que eram depois queimados. Esta tradição não era exclusiva da mina terra, aqui e acolá vão sendo feitas reconstituições desta prática.

Foram necessários vinte séculos para que a Igreja Católica considerasse que o povo judeu não foi o culpado da morte de Cristo e pusesse fim à perseguição aos judeus que promoveu durante séculos e que conduziu a chacinas sucessivas.

A Igreja Católica tem um longo historial de não aceitação das suas responsabilidades e ainda maior quanto a aceitar as consequências dos crimes praticados pelos seus responsáveis, Galileu também teve de esperar até ao século XX para a Igreja lhe reconhecer uma razão que há muito a ciência já lhe tinha dado. Entre reconhecer e pedir perdão às suas vítimas ou colocar os seus interesses acima das vítimas a Igreja Católica nunca hesita, opta sempre pela segunda solução.

Só que já estamos em pleno século XXI e não é possível manter o encobrimento dos crimes praticados por alguns dos seus padres da mesma forma que se manteve a condenação de Galileu. A crise em que a Igreja Católica se está a envolver não se deve a um fenómeno novo, nada do que sucedeu nos últimos meses foi novidade, o que mudou foi o mundo e uma boa parte da Igreja Católica, incluindo o papa, ainda não o percebeu.

Os direitos dos cidadãos estão acima dos interesses da Igreja, os seus padres não estão acima da lei para defesa do bom nome da Igreja, foi isto que o papa e um bom número de bispos não perceberam a tempo. Não perceberam que não podiam exigir que a lei contemple a prisão das mulheres que abortam ao mesmo tempo que os seus crimes se resolviam com meia dúzia de ave-marias e uma oportuna mudança de paróquia.

O problema da Igreja não é saber como fazer esquecer o assunto mas sim como aceitar e assumir as culpas. D. José Policarpo, cardeal patriarca de Lisboa, soube fazê-lo ainda que saiba que as vítimas do padre Frederico foram esquecidas e ainda não receberam a indemnização a que o padre Frederico foi condenado. Mas D. José Policarpo foi a única voz inteligente que ouvi, todos os outros parecem estar mais preocupados em tentar abafar e desvalorizar as culpas do que em assumi-las, estão mais preocupados em proteger-se do que em proteger as vítimas.

Uma boa parte da hierarquia da Igreja Católica parece não perceber que os judeus, Galileu ou as vítimas dos cruzados são coisa do passado, quem em pleno século XXI ou a Igreja Católica assume responsabilidades e reconhece os direitos das vítimas ou será ela própria vítima dos seus próprios pecados.

( In Blog " O Jumento" - Imagem: Net"

sexta-feira, 2 de abril de 2010

REPUBLICA pela pena de Saramago



Vai para cem anos, em 5 de Outubro de 1910, uma revolução em Portugal derrubou a velha e caduca monarquia para proclamar uma república que, entre acertos e erros, entre promessas e malogros, passando pelos sofrimentos e humilhações de quase cinquenta anos de ditadura fascista, sobreviveu até aos nossos dias. Durante os enfrentamentos, os mortos, militares e civis, foram 76, e os feridos 364. Nessa revolução de um pequeno país situado no extremo ocidental da Europa, sobre a qual já a poeira de um século assentou, sucedeu algo que a minha memória, memória de leituras antigas, guardou e que não resisto a evocar. Ferido de morte, um revolucionário civil agonizava na rua, junto a um prédio do Rossio, a praça principal de Lisboa. Estava só, sabia que não tinha qualquer possibilidade de salvação, nenhuma ambulância se atreveria a ir recolhê-lo, pois o tiroteio cruzado impedia a chegada de socorros. Então esse homem humilde, cujo nome, que eu saiba, a história não registou, com uns dedos que tremiam, quase desfalecido, traçou na parede, conforme pôde, com o seu próprio sangue, com o sangue que lhe corria dos ferimentos, estas palavras: “Viva a república”. Escreveu república e morreu, e foi o mesmo que tivesse escrito: esperança, futuro, paz. Não tinha outro testamento, não deixava riquezas no mundo, apenas uma palavra que para ele, naquele momento, significaria talvez dignidade, isso que não se vende nem se deixa comprar, e que é no ser humano o grau supremo.

(In Diário de Saramago - Imagem: Capa do Livro Postais da República)

quinta-feira, 1 de abril de 2010

A Vitória do MaL A m A d O



«Uma inesperada combinação de timidez, pedanteria, tenacidade e decisão, eis o que subjaz à conquista da presidência do PSD por Pedro Passos Coelho. Contra ele tinha (tem) os grandes tubarões do partido, e verdetes especiais, levemente absurdos, abertamente renitentes. Cavaco detesta-o. A dr.ª Manuela não o suporta: de tal forma que, às escâncaras, escorraçou-o (e a Miguel Relvas) das suas preferências para o Parlamento. Jardim acha-o intolerável e manifesta o seu azedume sem dissimulação. Pacheco Pereira abomina-o. O dr. Rio execra-o. O dr. Sarmento odeia-o. O prof. Marcelo nem sequer sorri, para disfarçar, quando alude ao "companheiro". É um apreciável lote de inimigos, gente poderosa que nada realiza de graça, que procede segundo impulsos amiúde pouco claros - mas cujo comportamento tem tudo a ver com poder e mando.» [DN]

Parecer:

Por Baptista Bastos. (Blog O Jumento - Imagem: Net)