quarta-feira, 31 de março de 2010

As coisas estão a mudar ?



Até há pouco tempo, mal Manuela Moura Guedes abria a boca, às sextas-feiras, para ler pela 34ª vez uma qualquer carta de origem londrina, se «denunciava» a impunidade em que vivíamos. Agora, já se reclama o direito à presunção de inocência dos padres. Mas só dos padres? Porquê? Porque a presunção de inocência tem origem no direito romano?


(Por Tomás Vasques no blog "Hoje há conquilhas " - Imagem -Net )

terça-feira, 30 de março de 2010

A vida secreta dos objectos: Um copinho de aguardente




Sou um de seis irmãos gémeos. Vivo com todos eles, arrumadinho de boca para baixo, sobre uma pequena travessa de vidro guardada no louceiro da sala.

Não é para me gabar mas acho-me muito jeitoso. Não sou como aqueles copinhos de aguardente de taberna, de vidro grosso e sem qualquer adereço que os distinga. Eu não. Sou feito de vidro fino e tenho umas riscas horizontais douradas que denotam logo o meu requinte. Claro que os meus irmãos são iguaizinhos a mim, mas isso não me incomoda nada. Quando nos juntamos todos à mesa no final das refeições de festa, muito aprumadinhos e perto das chávenas de café, é uma alegria. Enchem-nos de medronho até ao cimo e vai de roupa…somos despejados de um gole só, que pouco mais que isso conseguimos levar. Obviamente que muitas vezes nos voltam a encher e neste vai acima e vai abaixo, no meio dos vapores alcoólicos do medronho, divertimo-nos tanto que ficamos tontos como se estivéssemos numa montanha russa de parque de diversões.

Depois, já lavadinhos e secos, voltamos para o louceiro e eu, no aconchego dos vidros das prateleiras fico a pensar que a vida é maravilhosa e que sim…sou um copinho de aguardente feliz.
(Publicada por Luisa em " À esquina da Tecla" )

segunda-feira, 29 de março de 2010

Marcela e Elisa duas lésbicas do Porto



Um dia depois de Cavaco Silva ter enviado para o Tribunal Constitucional a lei que legaliza o casamento entre pessoas do mesmo sexo, a revista dominical do El País conta a história de Marcela e Elisa, duas mulheres da Corunha que casaram em 8 de Junho de 1901, pela igreja. Na foto da boda, percebe-se como: Elisa cortou o cabelo e compareceu vestida de homem, transformada num indivíduo chamado Mario, entretanto convertido ao cristianismo e baptizado. A mentira, porém, durou pouco tempo. As duas mulheres foram descobertas e viram-se acossadas por dezenas de títulos de jornais: “Casamento sem homem”. Marcela e Elisa fugiram para o Porto, pensando que aqui, num país estrangeiro, estariam a salvo da perseguição, mas, no dia seguinte, acabaram por ser presas. A cidade achou que eram “duas desgraçadas” e ficaram 13 dias na prisão. Libertadas, ficaram a morar no Porto o mais discretamente que puderam e, no início de 1902, Marcela acabou por parir um filho, gerado não se sabe por quem. Nesse mesmo ano, o casal partiu para Buenos Aires. Macacos me mordam se não é uma história do caraças e se não me trouxe à memória, também, o bonito namoro de duas moças a que assisti há dias no histórico Café Progresso, inaugurado em 1899, dois anos antes do casamento das galegas, e onde, em 1902, também se devia achara que o amor de duas mulheres era coisa de desgraçadas.
(Por M.J.Marmelo in Blog " Teatro Anatómico )

domingo, 28 de março de 2010

FRANCISCO LOUÇÃ




A forma como Francisco Louçã tenta assassinar a candidatura de Fernando Nobre diz tudo sobre a natureza humana de Francisco Louçã, ainda há dias elogiava o presidente da AMI, agora que a sua candidatura divide o BE recorrer ao cinismo para eliminar politicamente Fernando Nobre. São assim os "grandes" líderes comunistas, deixam atrás de si um rasto de cadáveres políticos.

«Fernando Nobre tomou várias posições ao longo do tempo, é um homem corajoso. E tive muito gosto em que ele participasse numa campanha do BE. Nessa altura, não sabia ainda das suas inclinações monárquicas, mas devo dizer que é uma homenagem bonita à República que no seu 100.º aniversário um simpatizante da monarquia seja também candidato a Presidente da República. Mas os militantes do BE não se reconhecem de forma nenhuma num discurso que diz que a esquerda e a direita são iguais e indiferentes. Nós queremos alternativas claras.» [DN]

(In " O Jumento" - Imagem: Pintura de Sitchin)

Roupa suja ?



O cardeal português José Saraiva Martins, ex-presidente da Congregação para a Causa dos Santos, sobre o encobrimento na Igreja dos seus pedófilos: "Não devemos ficar demasiado escandalizados se alguns bispos sabiam e mantiveram o segredo. É isso que acontece em todas as famílias. Não se lava a roupa suja em público."



Como? “Família”? “Roupa suja”? Encobrir criminosos abusadores sexuais de crianças, algumas órfãs e outras deficientes, à guarda da sua instituição, classificando crimes nefandos como “roupa suja” e juntando o conceito de "família"? Só na Máfia, senhor Cardeal, só na Máfia.


(Publicado por João Tunes in Blog " Água Lisa" )

sábado, 27 de março de 2010

Há gente que sonha de noite......



Isabel Moreira, no jugular:

Bonito é roubar a bandeira republicana e colocar, no seu lugar, a bandeira monárquica. E no Parque Eduardo VII. Um parque assim baptizado em honra de Eduardo VII, de Inglaterra, famoso pelas suas infidelidades conhecidas e toleradas pela obediente esposa, um verdadeiro playboy, o que me parece indiferente, mas que é o retrato tão actual da queda dos valores conservadores que as monarquias europeias pretendiam e pretendem hipocritamente representar.


Desta vez o PPM não conhecerá os autores e não fará uma capa de jornal a toda a largura e coisa a tal? Ou a legalidade e a ilegalidade dependem da amizade?

(In Machina Speculatrix - Imagem: Net )

sexta-feira, 26 de março de 2010

Crónica mundana



«Em 1969, eu fui rico e vivia em Paris. Rico, apesar de "sem papéis", como eu já me habituava a dizer porque sem documentos. Eu tinha um ritual, cada dia, que se repetia por três vezes: entrar numa loja de produtos finos e escolher uma iguaria. A loja chamava-se boulangerie e a escolha era uma baguette. As lojas eram distantes, para eu passear a sorte de viver Paris. E o ritual era espaçado, para eu gastar lentamente a minha fortuna. Não sei o preço do metro de ontem, sei que, há 40 anos, pagava 0,55 cêntimos de franco pela baguette. O francês coloquial ensinou-me que baguette se diz de qualquer varinha, como em baguette magique, mas para mim mágica era aquela baguette que me era estendida depois de a padeira me cantar um "bonjour, messieurs-dames!", mesmo quando eu entrava sozinho na loja. Saía com os meus 65 centímetros de felicidade que tinham uma côdea que merecia a magnífica palavra de "croustillante". Eu tinha a noção exacta da jóia que eu possuía, por três vezes, cada dia, na bela cidade. Nunca fui tão rico. Continuando esta crónica mundana, lembro que, esta semana, Djibril Bodian, de 33 anos, foi eleito o maior ourives do mundo: faz as melhores baguettes de Paris. "Tão francês como o meu pão", diz agora, Djibril tinha seis anos quando chegou do Senegal. » [DN]

Por Ferreira Fernandes.
( In Blog " O Jumento " - Imagem : Net )

A Câmara de Loulé e as árvorezinhas




Uma nota de imprensa da Câmara de Loulé dá conta que “nos dias 22 e 23 de Março, realizaram-se acções de plantação em três estabelecimentos de ensino do concelho de Loulé, com o objectivo de assinalar o Ano Internacional da Biodiversidade”.

Diz a nota que a iniciativa foi “promovida pela Câmara Municipal de Loulé, que contou com o envolvimento de 300 pessoas, entre alunos e professores [das escolas Padre Cabanita, de Loulé, Sousa Agosti-nho, de Almancil, e de Salir], técnicos da autarquia e executivo municipal”.

O intuito da actividade seria “despertar e sensibilizar a sociedade portuguesa para a importância da preservação e conservação da biodiversidade”.

Que dizer? Enquanto enfrentando toda a população do concelho, a autarquia se «entretém» a aniquilar as árvores das cidades, enquanto autoriza dezenas de novos empreendimentos urbanísticos que arrasam os pinhais do Ludo-Quinta do Lago, do Ancão, do Garrão e do Loulé Velho-Almargem, propagandeia que, com 300 alunos replanta meia-dúzia de árvores nos pátios de três escolas.

(In Blog " Calçadão de Quarteira" - Imagem: Net)

quarta-feira, 24 de março de 2010

This is a big fucking Deal



Foi nestes termos que Joe Biden, vice-presidente dos EUA, comentou a reforma da saúde nos EUA, imaginem que o se diria por cá se José Sócrates usasse este tipo de expressões, só por dizer "porreiro pá" foi o que se viu. A Ferreira Leite ficaria vermelha que nem um tomate, o sindicalista dos magistrados aproveitaria para exigir mais escutas ao primeiro-ministro, o Presidente diria que estava preocupado, seria o bom e o bonito.

Por falar em Cavaco Silva repararam que já há uns dias que não se manifesta preocupado com alguma coisa?

(In Blog " O Jumento" - Foto: Net )

RELEXÕES SOBRE VENCIMENTOS DE 8.500 €uros



Sendo as organizações sindicais o motor da luta de classes, devia ser proibido haver sindicatos para profissões que têm ordenados base de 8500 euros. Isto é a subversão da luta de classes, é como um preto de cabeleira loura. Em vez de sindicatos, as profissões de 8500 euros deviam ter associações empresariais. Até na luta de classes é preciso ter classe.

(José de Pina no "i" - In Blog " Mala Aviada)